 |
Novembro/2002 |
ANALFABETISMO FUNCIONAL
Sínteses de Estudos e Pesquisas |
promoção UBE União Brasileira de Escritores |
QUEM SÃO E QUANTOS SÃO?
Há uma idéia mais ou menos generalizada de que o analfabetismo funcional é típico de pessoas que tem quatro anos ou menos de escolarização.

Atualmente estima-se que no mundo existam de 800 a 900 milhões de pessoas nesta situação.

PROBLEMAS SOCIAIS
Os analfabetos funcionais não podem cumprir tarefas simples e corriqueiras em sua vida pessoal e profissional, como:
Em um estudo realizado na
América Latina observou-se que...
Para se encaixar em um nível que permita um domínio básico do alfabetismo se deveria ter cursado sete ou mais séries de educação básica, e para se conseguir um bom nível de conhecimento em todas as matérias – o que corresponde a uma alta inserção no trabalho na maioria dos países - as pessoas deveriam ter cursado 11, 12 ou mais anos.
Muitos aspectos sociais e trabalhistas, como: auto-estima, autonomia, capacidade comunicativa estão diretamente relacionados com os ganhos da leitura, escrita e matemática.
Nota-se uma menor capacidade comunicativa verbal entre os analfabetos especialmente no que se refere a capacidade de argumentação
PREJUÍZOS ECONÔMICOS
Òrgãos Internacionais ligados ao tema
estimam em 60 bilhões de dólares a perda
de produtividade a cada ano.
MOTIVO

A deficiência de habilidade dos empregados
aumenta o número de erros e acidentes no
local de trabalho e/ou danos ao equipamento.
AMÉRICA LATINA X MUNDO
O relatório do IALS (International Adult Literacy Survey) publicado em 2000 apresentou alguns dados sobre este problema em diversos países.
O Chile foi o único país da América Latina que participou do estudo, vejamos nos slides a seguir qual foi a sua colocação em relação aos demais países investigados.
Como foi possível observar nos gráficos 1, 2 e 3 o Chile apresentou um dos piores índices nos três domínios avaliados (prosa, documento e quantitativo).
AMÉRICA LATINA
Um estudo realizado pela UNESCO na América Latina (Argentina, Brasil - estado de São Paulo, Colômbia, Chile, México, Paraguai e Venezuela), com o intuito de investigar a dimensão desse problema, chegou a algumas conclusões importantes.
AMÉRICA LATINA X BRASIL
Na primeira fase da pesquisa foi aplicado um teste preliminar (filtro contendo 7 questões simples), com o objetivo de avaliar quais pessoas estariam aptas a responderem o questionário principal. Os indivíduos que respondessem corretamente a pelo menos 5 destes itens poderiam prosseguir, os demais seriam desconsiderados.
Vejamos então qual foi o desempenho de cada país investigado, dando uma atenção especial para a colocação do Brasil...
População que respondeu corretamente
a 5 ou mais itens do teste preliminar (%)

Fonte: Analfabetismo Funcional en siete países de América Latina/ UNESCO E OREALC
População com menos de 35 anos que respondeu
corretamente aos itens exigidos no teste preliminar (%)
Fonte: Analfabetismo Funcional en siete países de América Latina/ UNESCO E OREALC
Anos de escolaridade por acerto em 5 ou
mais perguntas do teste preliminar (%)
Fonte: Analfabetismo Funcional en siete países de América Latina/ UNESCO E OREALC
Exemplo de tarefa aplicada durante o teste preliminar:

No Brasil 30% dos respondentes (300 pessoas) não conseguiram apontar, no texto acima, a parte que dizia em quantos anos os fumantes moderados reduzem sua esperança de vida
(in Analfabetismo Funcional: Introdução ao Problema- Julho 2000/ Prof. Dr.
Daniel Augusto Moreira – FEAUSP E FECAP)
BRASIL
Nota-se que mesmo quando comparado com a realidade de países da América Latina o Brasil não apresenta uma boa posição, seus resultados são inferiores aos da Argentina e do Chile.
Sabe-se que esse resultado negativo, quanto à posição do Brasil, não causa uma grande surpresa. Isso porque os índices de analfabetismo absoluto, no país ainda são elevados.
Vejamos, a seguir, alguns dados sobre o analfabetismo absoluto em nosso País...
O número de analfabetos absolutos - segundo o Censo do IBGE de 2000 – é de 25.653.751, principalmente concentrados na Região Nordeste, onde esse problema chega atingir até 29% da população, e no Norte, em segundo lugar, com 22%.

Fonte: Censo 2000-IBGE/ Gismarket
Nota-se, na tabela abaixo, uma evolução no número médio de anos de estudo da população brasileira. Porém esse quadro demonstra que o país se encontra em um estado muito precário, pois pessoas com nível de leitura de 5 a 8 anos de estudo são consideradas "marginalmente alfabetizadas". Além disso, em países da América do Norte e a Europa tomam-se 8 a 9 anos como patamar mínimo para se atingir o alfabetismo funcional.

Fonte: Brasil, Ministério da Educação, 2000 – Seminário Educação e Empregabilidade (pág. 13) / Analfabetismo
Funcional: Introdução ao Problema – Prof. Dr Daniel Augosto Moreira (FEA USP e Fecap)
Sabe-se que o analfabetismo funcional causa grandes prejuízos financeiros. No caso do Brasil esse quadro se agrava.
MOTIVO

Segundo o PNAD, os maiores percentuais de pessoas ocupadas em atividades econômicas estão concentrados nas faixas etárias entre 30 e 39 anos, 40 e 49 anos e 50 anos ou mais.

Justamente aquelas pessoas que não passaram em média mais do que 3 anos estudando.
Percentual de pessoas ocupadas em todas as atividades por grupos de idade:
Os resultados do estudo realizado pela UNESCO na cidade de São Paulo, como o objetivo de dimensionar o analfabetismo funcional no Brasil, indicaram que há mais analfabetos nos seguintes seguimentos:
Como pode ser observado na tabela a abaixo a diferença no nível de habilidades entre a população rural e a urbana é muito grande, em todos os três tipos de testes aplicados.
Níveis de habilidade segundo a zona de nascimento (%)

Fonte: Pesquisa Analfabetismo Funcional – São Paulo, 1996/ Ação Educativa)
Quanto maior fosse o nível de escolaridade dos pais, melhor seria o nível de habilidades dos seus filhos. Porém, daqueles que tem pais com nível superior, menos de 50% conseguiram atingir o nível 4.
Níveis de habilidade segundo escolaridade do pai e da mãe (%)

Fonte: Pesquisa Analfabetismo Funcional – São Paulo, 1996/ Ação Educativa)
É importante notar que conforme demonstra a tabela abaixo, das pessoas com nível superior completo ou incompleto, só 52,8% conseguiram atingir o nível 4 nos textos em prosa, e apenas 54,4% chegaram a esse mesmo nível nos textos esquemáticos ou com informações numéricas.
Níveis de habilidade segundo a escolaridade (%)
Fonte: Pesquisa Analfabetismo Funcional – São Paulo, 1996/ Ação Educativa)
A diferença dos níveis de habilidade entre os sexos é significativo apenas no domínio de textos com informação numérica: é de 11,5 pontos percentuais a diferença na proporção de homens e mulheres que atingem os níveis 3 e 4, com vantagem dos primeiros.
Níveis de habilidade segundo o sexo (%)
Fonte: Pesquisa Analfabetismo Funcional – São Paulo, 1996/ Ação Educativa)
As diferenças nos níveis de habilidade entre as classes é muito significativa, principalmente entre as classes B e C. Para se ter uma noção da gravidade desse problema, deve-se observar que no Brasil 53% da população esta classificada entre as classes D ou E (Censo 2000 – IBGE)
Níveis de habilidade segundo a classe social (%)

** Como o total dessa coluna é inferior a 30, optou-se por não calcular percentuais;
os números entre parênteses são absolutos.
Fonte: Pesquisa Analfabetismo Funcional – São Paulo, 1996/ Ação Educativa)
| Distribuição da População Brasileira por Classe Social (%)
|
 |

Fonte: Censo 2000 - IBGE |
| Œ
|
Apesar das comemorações que vem sendo feitas atualmente quanto à redução do nível de analfabetismo absoluto, a erradicação desse problema parece estar acontecendo a passos lentos, principalmente nas Regiões Nordeste e Norte.
|
Esses resultados devem estar em pauta para discussão entre empresários e governo, em todos os Estados. Principalmente nas cidades cosmopolitas, como São Paulo, que tem boa parte de sua população economicamente ativa formada por migrantes.
|
|
Ao contrário de países desenvolvidos, como os EUA, que realizaram o primeiro estudo para dimensionamento desse problema em sua população já em 1985. O número de estudos de que o Brasil já participou/desenvolveu ainda é pequeno e de baixa representatividade. |
Sendo assim, o primeiro passo que governo, terceiro setor e empresários devem dar em direção à minimização desse quadro é o investimento em pesquisas dirigidas para a mensuração dos verdadeiros índicesde analfabetismo funcional no país.
Segundo relato do Dr. Ottavio Ianno, quando viajou a Itália:
"Um exemplo de como o investimento em pesquisas é significativo para a minimização do número de analfabetos funcionais é o da Itália. Nesse país, os resultados apresentados sobre esse problema foram muito superiores ao esperado. Diante disso, diversos setores da sociedade mobilizaram-se para buscar políticas publicas capazes de reverter esse quadro"